O
domínio lusitano durou até 1634, quando o Forte dos Reis Magos caiu em poder dos
holandeses, que só foram expulsos em 1654. Nesse período, todos os arquivos,
documentos e registros do governo português foram destruídos, o que até hoje
dificulta a reconstituição da história da época.
Invasões preocupavam
Portugal e uma vez que a Capitania do Rio Grande do Norte ficava localizada no
ponto mais estratégico da costa brasileira, o Rei retomou a posse da Capitania e
ordenou a construção de um forte para expulsar os franceses da costa.
Em
1701, após ser dirigido pelo governo da Bahia, o Rio Grande do Norte passou ao
controle da Capitania de Pernambuco. Em 1817, a Capitania aderiu à Revolução
Pernambucana, instalando-se na cidade de Natal uma junta do Governo Provisório.
Com o fracasso da rebelião, aderiu ao Império e tornou-se província em 1822. Em
1889, com a República, transformou-se em Estado.
Muitas pessoas
desconhecem o caráter histórico e a contribuição da presença das tropas Aliadas
instaladas na base aérea de Parnamirim. Junto ao Acre, o Rio Grande do Norte foi
decisivo no processo da vitória aliada na II Guerra Mundial, pois barrou a
expansão alemã que pretendia dar um salto da África Ocidental à América do Sul
passando pelo Nordeste do Brasil, que foi ocupado antes por tropas
norte-americanas.
A presença dos norte-americanos trouxe benefícios para
o RN e para os estados do centro-sul do Brasil, que finalmente conseguiram
recursos para o Brasil se industrializar de forma decisiva a partir da
construção da Companhia Siderúrgica Nacional.
Graças a sua privilegiada situação geográfica
-- localiza-se na costa sul-americana mais próxima da Europa --, o Rio Grande do
Norte sempre teve singular importância estratégica. Como diziam os portugueses
quinhentistas, "é a mais perto terra que há no Brasil".
O estado do Rio Grande do Norte, na região
Nordeste, ocupa uma área de 53.307km2, na maior parte incluída no chamado
Polígono das Secas. Limita-se ao norte e a leste com o oceano Atlântico, ao sul
com a Paraíba a oeste com o Ceará. A capital é Natal.
Geografia física
Geologia e relevo
Cerca de 83% do território estadual
encontram-se abaixo de 300m e 60% abaixo de 200m. Duas unidades de relevo
compõem o quadro morfológico: terras baixas e planalto. O planalto, extremidade
setentrional da Borborema, penetra o estado pelo sul, afastando-se bastante do
litoral oriental, ao contrário do que ocorre nos estados da Paraíba e de
Pernambuco. Apresenta dorso acinzentado e mais baixo que no estado da Paraíba
(somente ao norte de Currais Novos alcança o planalto a cota de 800m de
altitude), rebordo tortuoso e pouco escarpado.
As terras baixas cercam o planalto pelos lados
de leste, norte e oeste. Compreendem os tabuleiros areníticos, dispostos ao
longo dos litorais oriental e setentrional; a faixa de baixos terrenos
cristalinos situados a leste da Borborema; a grande superfície tabular na
chapada do Apodi (200m de altitude), situada a nordeste do estado e cortada
pelos vales dos rios Apodi e Piranhas; e finalmente o peneplano cristalino, com
suas grandes extensões de relevo ondulado e do qual despontam esparsamente
cristais e picos isolados. Outra forma de relevo característica das terras
baixas é a planície aluvial que se desenvolve ao longo dos principais rios,
especialmente do Piranhas e do Apodi.
Na porção sudoeste do estado ocorrem alguns
maciços isolados com cerca de 600m de altitude, entre os quais se destacam as
serras de São Miguel, do Martins e Luís Gomes. É a chamada região serrana do Rio
Grande do Norte.
Clima
Três tipos de clima ocorrem no estado: o
tropical úmido, com chuvas de outono-inverno (As' do sistema de Köppen), o
semi-árido quente (BSh) e o tropical semi-úmido (Aw'), com chuvas de outono. O
clima tropical úmido ocorre na baixada litorânea oriental. Registra uma
temperatura média de 24° C e uma pluviosidade de 1.000mm, que diminui
rapidamente da costa para o interior, passando a 600mm a apenas cinqüenta
quilômetros do litoral.
O clima semi-árido quente domina praticamente
todo o resto do estado, inclusive o litoral setentrional, dando lugar a uma
costa bastante seca. As temperaturas médias alcançam 26o C no interior e a
pluviosidade, inferior a 600mm, é sujeita a grande irregularidade, deixando de
ocorrer, em alguns anos, a estação chuvosa de outono. O tropical semi-úmido
ocorre apenas no extremo oeste. Registra temperaturas médias também elevadas e
chuvas outonais mais abundantes que na área semi-árida (mais de 600mm anuais),
sobretudo na região serrana, a sudoeste.
A larga planície costeira do Rio Grande do
Norte é a única região litorânea do Brasil com clima semi-árido. Ali, a
pluviosidade reduzida, os ventos secos e constantes e as temperaturas elevadas
fazem do estado o maior produtor brasileiro de sal, com 77 a 85% da produção
nacional, conforme o ano.
Hidrografia
A rede hidrográfica compreende rios que correm
para o litoral oriental e rios que correm para o litoral setentrional. Os
últimos são os mais extensos do estado, como o Apodi e o Piranhas ou Açu. A
grande bacia deste abarca inclusive a porção ocidental da Paraíba.
Todos os rios do Rio Grande do Norte
apresentam regime intermitente: registram grandes cheias na estação chuvosa e
desaparecem na época da estiagem. No interior, numerosas barragens foram
construídas, dando origem a açudes como os de Cruzeta, Gargalheiras e Itãs. Na
embocadura dos rios do litoral oriental observam-se numerosas lagoas, que
ocorrem também nas várzeas dos rios Piranhas e
Apodi.
Vegetação
Três formações vegetais revestem o território
rio-grandense: a floresta tropical, o agreste e a caatinga. A floresta tropical
só é encontrada numa pequena área situada a sudeste, onde forma a extremidade
setentrional da floresta litorânea que dá nome à zona da mata
nordestina.
O agreste, com uma floresta menos exuberante
que a anterior, apresenta um tipo de vegetação de transição para o clima
semi-árido do sertão, com composição mista, com espécies da floresta tropical e
da caatinga. Domina toda a porção oriental do Rio Grande do Norte, único estado
em que essa vegetação chega até o litoral.
A caatinga recobre as porções central e
ocidental do estado. É o tipo de vegetação que ocupa maior área, cabendo-lhe
aproximadamente noventa por cento da superfície estadual. Na fímbria litorânea
observa-se a característica vegetação de
mangue.
População
A faixa mais povoada é a da baixada litorânea
oriental, sobretudo na microrregião de Natal, a região mais úmida do estado. Nas
demais regiões, as densidades se reduzem bastante, na seguinte ordem
decrescente, por região: agreste, microrregião serrana do sudoeste, salineira,
Borborema, Seridó, Serra Verde, Açu e Apodi, litoral de São Bento do Norte e
sertão de Angicos.
Todo o território estadual se integra na área
de influência da cidade de Recife PE. A ação econômica da metrópole pernambucana
se produz no estado por intermédio de duas capitais regionais, Natal e Campina
Grande PB. A primeira serve toda a porção oriental e setentrional do estado,
enquanto à segunda cabe apenas a porção sudoeste. Entre as cidades mais
importantes do Rio Grande do Norte, destacam-se, além da capital, Moçoró,
Parnamirim, Ceará-Mirim, São Gonçalo do Amarante, Caicó, Açu e Currais
Novos.
Economia
Agricultura e pecuária
O mais importante produto agrícola do Rio
Grande do Norte é o algodão. Cultiva-se a variedade arbórea nas áreas de menor
pluviosidade, em terras do agreste e da caatinga. A principal área produtora,
situada no sul do estado, compreende o agreste da Borborema e a área semi-árida
situada a oeste do planalto, a região do Seridó. Em segundo lugar como cultura
de larga distribuição geográfica, aparece o feijão, cultivado quer nos solos
mais úmidos das planícies aluviais e pés-de-serra do sertão, quer em terras de
caatinga, como cultura consorciada, ligada ao milho e ao algodão.
Seguem-se, em ordem decrescente de
importância, o milho, a mandioca e o agave. Este último, introduzido na segunda
metade do século XX, expandiu-se na região do agreste. Ao contrário do que
ocorre nos demais estados do Nordeste, o cultivo da cana-de-açúcar ocupa posição
modesta no Rio Grande do Norte.
Embora recente e sem tradição no estado, a
cultura do caju é a segunda do país, somente inferior à do Ceará. O Rio Grande
do Norte produz ainda melão, coco-da-baía, batata-doce e mangas. Entre os
produtos extrativos vegetais destacam-se a carnaúba, abundante nas várzeas dos
rios Apodi e Piranhas (o estado exporta cera) e a oiticica (a extração e
beneficiamento do óleo constituem uma indústria florescente). Exploram-se ainda
gomas elásticas, cascas de angico e painas.
O rebanho estadual tem distribuição
geográfica generalizada, com um certo adensamento no agreste. Entretanto, a
maior parte dos animais se encontra no sertão, em pastos formados de antigas
terras de caatinga. Nas fazendas de criação
do sertão é comum a construção de pequenos açudes, e em algumas áreas são
plantadas forrageiras, sobretudo a palma (cactácea). A alimentação dos animais é
em geral complementada com a torta de caroço de algodão, subproduto da extração
do óleo de caroço de
algodão.
Indústria

A principal
indústria de transformação no estado é a têxtil, tanto pelo número de
estabelecimentos quanto pelo de pessoal ocupado e volume de
produção. Destacam-se ainda a de produtos alimentícios, a indústria de vestuário
e artefatos de tecido e a indústria química. O grau de concentração geográfica
dessa indústria é reduzido, devido ao grande número de unidades de
beneficiamento de algodão dispersas pelo interior do estado.
Em segundo lugar vem a indústria de produtos
alimentícios, em que se destacam as usinas de açúcar da região litorânea.
Seguem-se os setores de vestuário e artefatos de tecidos e a indústria
química.
A extração de produtos minerais alcança grande
importância na economia do estado, que é o maior produtor de sal marinho do
país. A produção, hoje com elevado índice de mecanização, se concentra no
litoral norte, sobretudo nos municípios de Macau, Moçoró e Areia Branca. Muito
rico em minerais, o Rio Grande do Norte é também o maior produtor nacional de
tungstênio (xelita), explorado na região de Currais Novos e destinado ao mercado
externo em sua quase totalidade. O estado é também produtor de petróleo (o
principal campo é o de Uburana, na plataforma continental) e novas jazidas foram
descobertas no início da década de 1990. O estado dispõe ainda de importantes
ocorrências de mármore, gipsita, tantalita, calcário, berilo e águas
minerais.
Energia e transportes
A produção de energia elétrica é bastante
reduzida e, em geral, proveniente de usinas térmicas, pois a natureza dos rios
não permite seu aproveitamento. O estado é abastecido pela Companhia
Hidrelétrica do São Francisco.
As principais rodovias são a BR-101, que liga
Natal a Recife, Salvador e ao sul do país, e a BR-304, que parte da capital e
corta o estado em direção a Fortaleza CE. Para solucionar o problema de
escoamento da produção de sal, o governo federal construiu nos portos de Macau e
Areia Branca ilhas artificiais dotadas de cais de acostamento aos cargueiros.
Estes são carregados automaticamente por um sistema de cabos aéreos providos de
caçambas. O porto de Natal, de grande movimento, conta com um canal de acesso
com cem metros de largura e 5,9m de profundidade.
Cultura
Entidades
culturais
O Rio Grande do Norte dispõe de importantes
entidades culturais, entre as quais se destacam o Instituto Histórico e
Geográfico que publica uma Revista desde 1903, a Academia Norte-Rio-Grandense de
Letras e a Associação Norte-Rio-Grandense de Astronomia, todas com sede na
capital. Entre as bibliotecas, devem ser citadas as da Fundação José Augusto, da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a Central, a do Museu Histórico e
Geográfico e a Biblioteca Câmara Cascudo. A maior biblioteca pública do interior
é a da Prefeitura Municipal de Moçoró.
Museus
Os mais importantes museus do estado são o
Museu de Arte e História, do Instituto Histórico e Geográfico, conhecido como
Museu do Sobradinho, o mais antigo e que possui preciosas coleções de arte
sacra, popular e indígena, e de documentos históricos, e o Museu Câmara Cascudo,
de antropologia. Destacam-se ainda o Museu de Arte Popular -- localizado no
Forte dos Reis Magos --, o Museu Aristófanes Fernandes, de taxidermia, e o do
Instituto de Biologia Marinha, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte,
todos na capital.
Acervo arquitetônico
O estado possui diversos monumentos tombados,
entre os quais o mais importante é o Forte dos Reis Magos, marco inicial da
ocupação do território e cujo bastião teve a construção iniciada em 6 de janeiro
de 1598. Ainda na capital destacam-se a estátua de Augusto Severo, o busto de
Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, o monumento à Independência, o obelisco em
homenagem ao padre Miguelinho e a André de
Albuquerque.
TURISMO






Os principais pontos de atração turística do
estado são, além do Forte dos Reis Magos, as praias de Pirangi, Ponta Negra,
Areia Preta, do Meio, do Forte e Redinha. Nesta última existe um curioso sistema
de dunas que corre paralelamente ao longo da costa, caracterizando-se por
numerosa sucessão de capontas, isto é, verdadeiros lagos de água doce, cuja
extensão chega até dez mil metros quadrados. Outras atrações turísticas são a
lagoa Manuel Filipe, o farol de Mãe Luísa, a igreja de Santo Antônio, a
capelinha dos Reis Magos, a feira livre de Alecrim, o cajueiro de Piranji, com
copa de sete mil metros quadrados, em Piranji do Norte, a 26km da capital; e a
rampa de lançamento da Barreira do Inferno, no município de Parnamirim, a vinte
quilômetros da capital.
Folclore
Os principais eventos populares do estado são
as exibições folclóricas: fandango, pastoris, lapinha, chegança (do ciclo do
Natal), boi-calemba, bambelô, congo. Danças típicas são o serrote, um xote
dançado por dois ou três pares apenas, e o baiano, uma dança viva com
coreografia individual.
Na culinária destacam-se o acaçá, um bolo de
fubá de milho ou arroz que é cozido com água e sal até ficar gelatinoso; a
alambica, jerimum cozido com toucinho; a aritica, feijão com rapadura, e o aluá,
uma bebida de origem indígena fermentada de abacaxi ou milho e
açúcar.