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História do Maranhão

Foram os espanhóis os primeiros europeus a chegarem, em 1500, à região onde hoje se encontra o estado do Maranhão. Em 1535, no entanto, verificou-se por parte dos portugueses uma primeira tentativa fracassada de ocupação do território. Foram os franceses que realizaram a ocupação efetiva iniciada em 1612, quando 500 deles chegaram em três navios e fundaram a França Equinocial. Seguiram-se lutas e tréguas entre portugueses e franceses até 1615, quando os primeiros retomaram definitivamente a colônia. Em 1621, foi instituído o estado do Maranhão e Grão-Pará, com o objetivo de melhorar as defesas da costa e os contatos com a metrópole, uma vez que as relações com a capital da colônia, Salvador, localizada na costa leste do oceano Atlântico, eram dificultadas devido às correntes marítimas. Em 1641, os holandeses invadiram a região e ocuparam a ilha de São Luis, nomeando o povoado em homenagem ao rei Luiz XIII. Três anos depois, foram expulsos pelos portugueses. A separação do Maranhão e Pará veio a ocorrer em 1774, após a consolidação do domínio português na região. A forte influência portuguesa no Maranhão fez com que o estado só aceitasse em 1823, após intervenção armada, a independência do Brasil de Portugal, ocorrida em 7 de setembro de 1822.

São Luís, capital do Estado do Maranhão, localizada na porção Meio-Norte do Brasil, constitui a última fronteira da região Nordeste com a Amazônia. Com uma área estimada em 831,7 Km2 (IBGE:1996) esta cidade herdou de seus antepassados um conjunto arquitetônico colonial de influência ibérica sem precedentes na América Latina, tanto pela sua extensão, como por sua homogeneidade. Legado formado por acontecimentos históricos que discorreremos a seguir.  

      Mesmo possuindo o direito de ocupar as terras pertencentes ao Norte do Brasil através do Tratado de Tordesilhas (1494), a nação portuguesa após algumas tentativas fracassadas de ocupação dessa porção do território por terra e por mar, acabou cedendo espaço  para os franceses, que em 1612 aportaram nas terras onde hoje encontra-se São Luís.   

      Com a constituição da França Equinocial, escolheu-se para a sede da colônia um altaneiro promontório, que segundo MEIRELES (2000: 42) “localizava-se na confluência dos dois maiores rios da Ilha, defronte a Jeviré, aí rezaram os capuchinhos , a 12 de agosto, a primeira missa no Maranhão”.

      A construção de um forte e de algumas residências utilizando-se de mão-de-obra indígena selou definitivamente a fixação da expedição francesa em solo maranhense e o seu contato com os habitantes indígenas. Em 8 de setembro de 1612 foi solenemente fundada a colônia francesa no Maranhão, ou França Equinocial, com limites definidos em 50 léguas para o Norte e para o Sul, a partir do Forte de Saint Louis, marco fundador de São Luís.

      Com a nomeação de Jerônimo de Albuquerque para Capitão da Conquista e Descobrimento das Terras do Maranhão, a reconquista portuguesa desse território estava sendo planejada em Pernambuco, onde segundo Meireles (2000: 50) “fixou-se o Governador em Olinda e fez partir para o norte, a 1º de junho de 1613, sob as ordens do capitão indicado, 100 homens em quatro embarcações”.

                Jerônimo de Albuquerque desembarca na desembocadura do Rio Munin, em frente à Ilha Grande em 28 de outubro de 1614, e após a tão narrada Batalha de Guaxenduba, onde as forças de Portugal, com um número de homens e armamentos bem menor que as forças defensivas francesas, conseguem derrotar, em um ataque surpresa, as tropas de Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardière, São Luís é retomada para o domínio de Portugal.

                Expulsos os franceses, o General Português Alexandre de Moura estabelece os alicerces para a organização de São Luís: confirma e estabelece Jerônimo de Albuquerque como Capitão-Mor da conquista do Maranhão, oferecendo-lhe um regimento para o governo da capitania.

     Estabelecidas as bases para a fixação de gente em terras maranhenses, Jerônimo de Albuquerque empreende algumas atividades cujo objetivo era dar condições para a implantação do sistema colonial português: o planejamento e construção de arruamentos a partir do Forte, finalização dos trabalhos de uma nau iniciada pelos franceses, além disso, “justificava-se a necessidade de restaurar e ampliar a fortaleza, agora de São Felipe, de acordo com as plantas do Engenheiro militar Francisco Frias de Mesquita, autor também do traçado urbano que seria seguido na implantação da cidade...” (Leite Filho:[S.D.]  625).


Museus e Casas de Cultura

Museu Histórico e Artístico do Maranhão


Instalado em um sobrado colonial construído em 1836, o Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM), primeiro museu da cidade, é composto de salões e corredores com móveis e utensílios que refazem um ambiente dos casarões de famílias abastadas do século XIX. Suas salas, quartos, varandas, escritórios, cozinha e banheiros exibem peças em porcelana, cristais, vidros, livros, objetos pessoais, espelhos, cortinados e móveis em madeira de lei.



O prédio chegou a ser sede do governo do Estado entre 1909 e 1910, quando o vice-governador Alexandre Colares Moreira Filho assumiu interinamente o executivo estadual. O sobrado pertenceu, ainda, ao matemático Joaquim Gomes de Souza, maranhense de respeitada família da província. O Museu Histórico foi reaberto em 28 de setembro de 1998, depois de uma ampla reforma quando se manteve fechado ao público pelo período de nove anos.


O Museu Histórico e Artístico do Maranhão recolhe, conserva, classifica, restaura e expõe peças, objetos e móveis dos séculos passados até o início do século XX, bem como documentos de valor histórico e cultural relacionados à história do Maranhão.


Além dos ambientes para exposição do acervo permanente, o Museu conta com o Teatro Apolônia Pinto sala de espetáculos com 70 lugares; a galeria Floriano Teixeira, para exposições temporárias; cafeteria e biblioteca informatizada e climatizada, com um vasto acervo de livros sobre a cultura maranhense e nacional no que se refere a museologia e história.


O Museu Histórico e Artístico do Maranhão é aberto à visitação pública de terça-feira a domingo das 9h às 18h.


Localização: Rua do Sol, 302, Centro. São Luís – MA. Telefone: (98) 3218-9920. Ver no mapa


Museu de Artes Sacras


Inaugurado em 06 de Março de 1991, o Museu de Arte Sacra é um anexo do Museu Histórico e Artístico do Maranhão e guarda em seu acervo uma coleção de diversas igrejas históricas de São Luís.  O Museu fica em um casarão colonial do século XIX, onde funcionou a primeira instituição museológica do Maranhão, o Museu Pio XII, criado em 1956, por iniciativa de Dom José de Medeiros Delgado, Arcebispo Metropolitano de São Luís.


Entre as peças do acervo, imagens de santos de roca tradicionalmente utilizados em procissões da Semana Santa. Há ainda uma imponente coleção de jóias neoclássicas, do século XVIII ao século XX, com objetos sacros utilizados nas cerimônias litúrgicas das Igrejas de São Luís, como cálices de missas, crucifixos em prata de lei com pedrarias, oriundos de Portugal; custódias e lanternas de procissões; vasos raros de Santos Óleos; cruz processional da Capela dos Navegantes; resplendor em prata, da Igreja do Desterro e vestimentas utilizadas por padres e bispos em cerimônias religiosas.


O Museu de Arte Sacra de São Luís é aberto ao público de terça-feira a sexta-feira, das 9h às 19h, e aos sábados, domingos e feriados das 9h às 18h.


Localização: Rua São João, nº500, Centro. Telefone: (98) 3218-9920/21/22/23. Ver no mapa


Museu de Artes Visuais


O Museu de Artes Visuais está sediado em um sobradão do século XIX, com fachada em azulejos portugueses, sacadas e contornos de janelas em pedra de cantaria, vindas de Portugal no período colonial, quando a Praia Grande era o centro do comércio da província de São Luís, no século passado.


O acervo do Museu é formado por quadros de pintura em óleo, pastel, espátula; desenhos; gravuras; esculturas; azulejos de artistas plásticos maranhenses, de gerações passadas e da nova geração, bem como peças decorativas em vidros, cristais, metais e madeira. Um dos destaques é a coleção de gravuras que pertenceu ao escritor Arthur Azevedo.


O horário de visitação é de terça a sexta-feira das 9h às 19h e aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 18h.


Localização: Rua Portugal, nº273, Praia Grande – Centro. Telefone: (98) 3218-9938. Ver no mapa


Museu de Alcântara


Criado em 1977, o Museu Histórico da cidade de Alcântara tem em seu acervo peças procedentes do Museu Histórico e Artístico do Maranhão, da Prefeitura de Alcântara, da Prelazia de Pinheiro, de Irmandades da cidade e de doações de famílias ilustres alcantarenses.


A exemplo do Museu Histórico em São Luís, a exposição permanente reproduz o ambiente típico de uma residência maranhense do século XIX. Com destaque para peças do mobiliário, louças, objetos de adorno e decoração, ourivesaria e arte sacra.


Dentro desse acervo de arte sacra há imagens de santos dos séculos XVII ao XIX, em tamanho médio ou natural, e uma coleção de cabeças de imagens de roca, esculpidas em madeira.


Encontram-se também no Museu de Alcântara, vitrines com jóias valiosas do tesouro de irmandades religiosas como a de São Benedito, Nossa Senhora do Livramento e outros, em ouro, prata e pedrarias. Algumas telas antigas, em óleo sobre metal e sobre madeira, além de uma coleção de imagens e objetos da Igreja Nossa Senhora do Carmo, também podem ser vistas.


O Museu Histórico de Alcântara pode ser visitado de segunda-feira a domingo, das 10 às 17 horas. Telefone: (98) 32189922/23


Localização: Praça do Pelourinho s/n, Alcântara, Maranhão. Ver no mapa


Cafua das Mercês (Museu do Negro)


Antigo mercado de escravos do século XIX, a Cafua das Mercês, nesta época, servia como centro receptor de escravos. Foi reformado em 1975, conservando as características originais da construção, e tem em seu acervo coleção de arte africana, objetos do culto afro-maranhense e peças utilizadas por escravos em cerimônias e cultos, além de instrumentos utilizados em torturas e castigos. O acervo de culto afro tem peças compradas pela Secretaria de Estado da Cultura e outras doadas por casas de culto afro-maranhense.


As visitas à Cafua das Mercês podem ser realizadas de segunda-feira a sexta-feira, das 9h às 18h.


Localização: Rua Jacinto Maia, nº54 – Praia Grande, Centro. Telefone: (98) 3218-9922/23 Ver no mapa


Teatro Arthur Azevedo


O teatro foi fundado em pleno ciclo do algodão maranhense, por dois comerciantes portugueses. Inaugurado em 1º de junho de 1817, com o nome de Teatro União. Em 1852 passou a chamar-se Teatro São Luiz. A homenagem ao escritor Arthur Azevedo, considerado primeiro comediógrafo brasileiro, deu-se na segunda década do século XX, no governo de Urbano Santos.


Sediado em um prédio em estilo neoclássico, já funcionou como cinema e chegou a ficar anos abandonado, em ruínas. Foi reconstruído de acordo com o projeto original e recuperou sua plenitude, com salões e platéia climatizados, modernos equipamentos eletrônicos e cênicos, salão nobre, sala de dança e sala de coro. Atualmente tem capacidade para 750 espectadores, em 4 andares.A visitação ao Teatro Arthur Azevedo, acontece de quarta a domingo, a partir das 15h.


Principais festas populares



O desfile das escolas de samba é disputado atualmente por doze agremiações de São Luís e São José de Ribamar, algumas com décadas de tradição e participação na folia. Na passarela, também se apresentam os blocos afros e uma tradição carnavalesca: os blocos tradicionais. Esses grupos também fazem cortejos nas ruas do bairro histórico da Madre Deus e no Maranhão têm um estilo único. Vestidos com roupas luxuosas, inspirados em trajes do tempo do Império, os blocos tradicionais maranhenses têm, além do figurino, um ritmo próprio, caracterizado pela forte e cadenciada percussão.


Outras atrações típicas do carnaval maranhense são as tribos de índios e a casinha da roça. As tribos reúnem crianças e adolescentes vestidos com trajes indígenas, imitando rituais de cura. A casinha da roça reproduz uma casa coberta com palha, em cima de um caminhão. Dentro da casa, tocadores e coureiras dançam o tambor de crioula.


São João


No mês de junho, a temporada de festejos para Santo Antonio (dia 13), São João (24), São Pedro (29) e no maranhão, São Marçal (30), reúne milhares de pessoas nos arraiais para ver e acompanhar as danças tradicionais, além das saborosas comidas típicas, vendidas em barracas de palha.


No centro do arraial ou em outro lugar de destaque, há espaço para apresentação dos grupos folclóricos. As atrações são variadas: desde a tradicional quadrilha, que se manifesta em outras regiões do Brasil, até o típico bumba-meu-boi, tambor de crioula, dança portuguesa, dança do coco, dança do lelê, cacuriá e dança do boiadeiro.


Além dos arraiais espalhados em diversos pontos da capital, inclusive no Centro Histórico, em duas datas há encontros de grupos de bumba-meu-boi que reúnem na mesma ocasião milhares de admiradores. Na noite do dia 28 de junho, véspera de São Pedro, depois de percorrer os arraiais os grupos vão para o Largo do Santo, na Madre Deus, para ir à capela louvar e agradecer as graças alcançadas.

Depois de muitas orações, eles se apresentam no largo, no meio da multidão. Ao longo de toda a madrugada, até a manhã do dia 29, dezenas de grupos se revezam entre as orações na capela e as danças no largo.


Outro momento é o dia 30 de junho. O tradicional encontro dos bois do sotaque de matraca acontece no bairro do João Paulo. Diferente das homenagens a São Pedro, o encontro em homenagem a São Marçal começa pela manhã e tem seu ponto alto à tarde, quando há uma maior concentração de grupos na antiga avenida João Pessoa, rebatizada de São Marçal.


Festa do Divino


A Festa do Divino é uma das manifestações culturais e religiosas mais ricas e tradicionais do Maranhão. Há indícios de que essa tradição teria chegado com a colonização açoriana, no século XVII. Realizada em várias cidades, a festa em homenagem ao Divino Espírito Santo ocorre em diferentes datas e de formas variadas.


Em São Luís, essa manifestação é marcada pelo sincretismo religioso entre a religião católica e os cultos de origem africana. Cada terreiro de mina realiza sua festa, também associada a santos católicos e entidades espirituais. Uma das mais famosas é a festa da Casa Fanti-Ashanti, dirigida por um dos pais-de-santo mais conhecidos de São Luís, Pai Euclides.


A celebração mais famosa é a Festa do Divino na cidade histórica de Alcântara, que fica do outro lado da baía de São Marcos, próximo à capital. Realizada tradicionalmente no mês de maio, com encerramento no domingo de Pentecostes, a festa mistura lendas, história e religiosidade. Em quase duas semanas, são realizados diversos rituais, como procissões, levantamento do mastro, louvores, banquetes e missas. A organização desses eventos é de responsabilidade de um grupo chamado de corte do Império, formado por adultos, que são representados nos altares festivos e procissões por crianças, nas funções de Imperador ou Imperatriz (a cada ano um deles se reveza no papel principal), mordomos-régios, mestre-sala e vassalos.


A corte se veste de trajes luxuosos, imitando o figurino imperial, um símbolo do imaginário popular sobre a visita que Dom Pedro faria à cidade, no século XIX, quando Alcântara era uma das mais ricas do país, graças à produção de algodão e aos engenhos de cana-de-açúcar. Segundo os registros históricos, duas das famílias mais abastadas da cidade disputaram quem faria o mais belo palacete para hospedar o Imperador. Com a desistência de Dom Pedro em fazer a viagem, as construções foram abandonadas e suas ruínas ainda resistem nas ruas da cidade, junto com as de outros prédios que pereceram ao longo do tempo.

Características

Os Lençóis Maranhenses compreendem uma faixa de dunas que se estende para o interior do continente por cerca de 50 km. Por ser um ecossistema diferenciado vem atraindo a atenção de turistas do mundo todo.

O recente asfaltamento da rodovia até a principal porta de entrada dos Lençóis, a cidade de Barreirinhas, incrementerá esse turismo.

Medidas urgentes devem ser tomadas para minimizar o impacto do turismo.

É uma região pouco estudada necessitando do esforço de inúmeros grupos de pesquisa para compreender sua complexidade.


INTRODUÇÃO

No macrocompartimento Costa-Semi-árida Norte, da Ponta dos Mangues Secos, à ponta de Itapagé (MMA, 1996), particularmente entre a Ilha de São Luís (MA) e o Delta do Parnaíba (PI), pode ser observado o mais importante campo de dunas do litoral brasileiro, e um dos mais significativos do mundo, entremeadas com milhares de lagoas de águas doce, rasa e cristalina, conhecido como Lençóis Maranhenses. Esse nome deve-se a semelhança da região a um lençol visto de cima jogado casualmente sobre uma cama formando ondulações (dunas) e vales (depressões entre dunas).

Através do decreto núm. 86060 (02/06/1981), na região dos Lençóis, foi criado o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, com uma área de 155.000 ha. Está localizado entre os municípios de Primeira Cruz e Barreirinhas (IBAMA, 1989) (Fig. 1). É classificado como de uso indireto dos recursos, exprimindo a não ocupação do espaço para exploração direta (Bruck et al., 1995).

 
A região é de característica única muito importante do ponto de vista paisagístico, cênico, geomorfológico, geológico, da biodiversidade, humano e histórico.
 
A dinâmica da região é muito intensa sendo o vento o principal agente modificador da paisagem. Na desembocadura do sinuoso rio Preguiças a grande variação da maré e contínua erosão/deposição de areia altera a abertura da barra.

A região apresenta-se muito pobre com uma agricultura de subsistência incipiente As principais culturas próxima a cidade de Barreirinhas são feijão, arroz, mandioca e castanha de caju, complementado com as coletas do fruto e palmito de açaí. A pesca é uma importante fonte de renda.

Segundo MMA (1996), é uma região de risco ambiental moderado.

Toda a área é muito pouco estudada, podendo ser destacado os trabalhos efetuados por Rietzler et al. (1998), Rocha et al. (1998), Tundisi et al. (1998) e Moschini-Carlos & Pompêo (2001).

O turismo vem surgindo como exepcional fonte geradora de riquezas e empregos. No entanto, ainda é muito restrito, sem fiscalização e controle.

GEOLOGIA

A posição intracratônica do Meio-Norte (Maranhão-Piauí) favoreceu a formação de uma estrutura geológica sedimentar, constituindo vasta bacia cuja gênese está ligada às transgressões e regressões marinhas, combinadas com movimentos subsidentes e arqueamentos ocorridos desde o início do Paleozóico ao final do Mesozóico (Atlas do Estado do Maranhão, 1984). Durante os movimentos negativos eram depositados sedimentos marinhos, acumulando-se arenitos, folhedos e calcários, enquanto que durante os movimentos epirogenéticos positivos depositaram-se sedimentos basálticos de origem continental.

No período Juro-Cretáceo ocorreram atividades ígnea de certa importância. Durante esse período movimentos tectônicos provocaram a formação de um "horst" de direção aproximada leste-oeste, denominada Cerco Ferrer-Urbano Santos, responsável pelos afloramentos de rochas pré-cambrianas, mais importantes na área do Gurupi, e pela fragmentação da grande bacia sedimentar, dando origem às bacias epicontinentais de São Luís e Barreirinhas (Atlas do Estado do Maranhão, 1984). A bacia de Barreirinhas limita-se a oeste pelo "horst" de Rosário que separa a bacia de São Luís, seu limite sul é o Arco Ferrer-Urbano Santos, estendendo-se em seguida para o oceano. Sua espessura máxima é de 7000 m e ocupa uma área de 85.000 km2 dos quais 75.000 são submersos.

O quaternário (Holoceno) é representado pelos depósitos litorâneos marinhos e depósitos eólicos, muito extensos na região de Barreirinhas-Humberto de Campos e por aluviões flúvio-marinhos do Golfão Maranhense e do estuário do rio Turiaçu.


GEOMORFOLOGIA

Estudos sobre a gênese de ecossistemas lacustres litorâneos brasileiros evidenciam que na sua formação participam processos fluviais, marinhos e fluvio-marinhos. Em conseqüência, são encontrados lagoas de água doce, lagunas com características estuarinas ou marinhas. Tratam-se de ecossistemas bem diferenciados quanto a gênese, fauna e flora (Esteves et al., 1984).

Estudos efetuados até o momento demonstram que na faixa sublitorânea constituída pelo Lençóis Maranhenses podem ser verificados duas épocas de formação de dunas. A primeira se deu logo após a transgressão Flandriana, quando as grandes oscilações das marés, permitiam, durante a baixa-mar, a exposição de larga faixa arenosa. O vento constante, transportando o farto material arenoso para o continente, originou dunas que recobriram grandes extensões podendo ser assinaladas algumas localizadas a mais de 100 Km do litoral. Seguiu-se uma fase climática mais úmida, responsável pela fixação das mesmas, que foram parcialmente edafizadas (Atlas do Estado do Maranhão, 1984).

Bem mais recente, com uma nova fase seca, surgiu uma segunda etapa, com a formação de novas dunas que recobrem uma franja de terra ao longo do litoral. Outra fração dos Lençóis é representada pelos campos de deflação, muito associados à gênese das dunas (MMA, 1996).

Estudos recentes têm sugerido que na região mais interior do continente, próxima à Lagoa do Caço, pode ser observado uma terceira, a mais antiga, época de formação de dunas (ROCHA, O., UFSCar, comunicação pessoal).

Na planície deltaica do rio Parnaíba, constituído predominantemente por sedimentos fluviais com forte influência marinha, também ocorrem recobrimentos parciais de depósitos dunares devido à intensa atividade eólica. O deslocamento de depósitos arenosos na faixa costeira neste trecho induz a depósitos dunares e cordões arenosos marinhos na foz de inúmeros rios, podendo criar barragens naturais gerando, normalmente, nesses locais lagoas costeiras (MMA, 1996).

Na região os cordões de depósitos marinhos e fluviomarinhos tendem a se processar na direção leste-oeste, direção predominante dos ventos alísios, bem como os depósitos eólicos continentais que se revelam através dos extensos campos de dunas (Fig. 2 a, b, c e d).

Dunas são montículos ou colinas de areia formadas pelos ventos, com alturas variáveis e capazes de se deslocarem (Freire, 1971). A existência de dunas litorâneas está vinculada à abundância de areia de granulação fina vinda do mar e a velocidade do vento (Guerra & Cunha, 1995). Formam-se dunas quando ventos fortes, de direção constantes, sopram sobre as praias com intensa deposição de detritos. Ao se ligarem entre si numa linha continua, as dunas dispõem-se em cadeias ou cordões, que dão o aspecto característico a esse tipo de costa. Nos Lençóis Maranhenses apresentam formato crescente (barcanas), paralelas à direção do vento e onduladas.


 

CLIMA

O Maranhão apresenta um volume de dados climatológicos que, além de reduzido, é mal distribuído no espaço geográfico do Estado (Atlas do Estado do Maranhão, 1984). Apenas 8 localidades possuem série anual longa, constituindo fator de limitação para estudos mais detalhados. Atualmente esta situação é mais crítica, visto que alguns postos de observação climatológica foram desativados, como na cidade de Barreirinhas. Na região de Urbano Santos, após a implantação de uma grande área de cultivo de eucaliptos pela Industria de Papel e Celulose Paineiras, foram instalados uma série de pluviômetros, sendo os únicos dados atualizados disponíveis para a região, representando um série histórica de poucos anos.

De maneira geral, o Estado do Maranhão possui elevados índices de precipitação pluviométricas. No contexto nordestino é uma área privilegiada. O regime de chuvas é nitidamente tropical, caracterizado pela divisão do ano em dois grandes períodos. O período chuvoso inicia-se em novembro ou dezembro, prolongando-se até abril ou maio (verão e outono), caracterizado por chuvas de grande intensidade. O período seco corresponde aos meses de inverno e primavera, quando as precipitações são geralmente muito esparsas (Atlas do Estado do Maranhão, 1984).

A região dos Lençóis Maranhenses, apesar do aparente ar desértico, apresenta um período chuvoso que de maneira geral estende-se de janeiro a julho.

 

HIDROGRAFIA

A partir do rio Piriá e da Ponta dos Mangues (MA) para leste, a deposição de areia retifica o litoral, em direção ao Piauí. Os rios mais importantes carreiam os sedimentos para o litoral, depositando-o preferencialmente em direção oeste. Nessa região, junto ao litoral surgem então linhas de restingas, paisagem típica da região. Elas são dominadas, muitas vezes, por grandes dunas de coloração clara que contrastam com a coloração escura da restinga, em virtude da presença de uma vegetação própria. Entre os cordões de restingas ocorrem as "avenidas", áreas deprimidas e geralmente alagadas. Os rios banhados pelos cordões arenosos mostram inflexões que acompanham o litoral, enquanto no interior os riachos não atingem o oceano. As águas desaparecem entras as "avenidas" ou mergulham nas areias, sob a forma de lençol de infiltração (Atlas do Estado do Maranhão, 1984).

As condições climáticas ai reinantes parecem então ser responsáveis pela arrumação do material depositado em grandes linhas de dunas. De fato, a região se encontra submetida a um clima com precipitações pequenas e batida de forma contínua e predominantemente pelos ventos alísios de SE. Desta forma, a areia seca por um forte sol, não se fixa. Por sua vez, a baixa precipitação pluviométrica não favorece o desenvolvimento de vegetação capaz de fixar os depósitos, originando linhas de dunas, que atingem a altura de cerca de 30 m ou mais, as quais avançam em direção ao interior, soterrando os alagados e os velhos cordões arenosos. Elas são constituídas por areias quartzosas, bem selecionadas, brancas, desagregáveis, com pequena fração argilosa.

Os Lençóis acompanham a linha de costa prolongando-se para o sul e apresentam uma forma aproximadamente triangular com o vórtice voltado para o sul.


SOLOS

Na região dos Lençóis, o solo pode ser classificado como areno-quarzoso, com duas principais unidades taxionômicas: areias quartzosas marinhas e quartzosas. As areias quartzosas marinhas apresentam solos profundos, com baixo conteúdo de argila, sempre inferior a 15%. A fertilidade natural é muito baixa e apresenta-se excessivamente drenado. O horizonte A é fracamente dissolvido e repousa sobre o C constituído por areias quartzosas, cuja origem está ligada à ação dos ventos na orla litorânea. Nele estão incluídos as dunas tanto fixas como moveis e ocorre entre as cidades de Tutóia e Primeira Cruz. São solos não consolidados, de coloração branca e cinzento claro, onde o horizonte se apresenta ligeiramente enriquecido pela matéria orgânica uma vez que a vegetação predominantemente é a litoral de restingas e dunas. As areias quartzosas são solos que apresentem teores em argila inferiores a 15%. Compreende solos arenosos essencialmente quartzosos, muito profundos, excessivamente drenados, forte e fortemente ácidos e de baixa a muito baixa fertilidade natural. Apresenta baixas saturação de bases e alta a média saturação de alumínio trocável. Não dispõem praticamente de nenhuma reserva de nutrientes para as plantas. A seqüência dos horizontes é do perfil do tipo A/C, onde A apresenta profundidade variável, com baixos teores de matéria orgânica (Atlas do Estado do Maranhão, 1984).

Grande parte dos solos da região litorânea dos Lençóis é considerado sem aptidão agrícola.

Nos ecossistemas costeiros sobre solos arenosos, a entrada de nutrientes via atmosfera pode ser significativa. Este fluxo origina-se tanto pela lixiviação da atmosfera pela chuva (precipitação úmida) quanto pela deposição de partículas de origem marinha (salsugem), provenientes da evaporação de gotículas de água do mar ejetadas na atmosfera pelo rompimento de bolhas na superfície do mar (Hay & Lacerda, 1984).

De maneira geral, são baixos os teores de nutrientes totais e dissolvidos determinados na água das lagoas presentes no interior da área de dunas (Pompêo & Moschini-Carlos, trabalho em preparação). Moschini-Carlos & Pompêo (2001) determinaram uma composição no sedimento de fundo constituído de areia quartzosa fina com pequeno teor de matéria orgânica. Esses autores verificaram ainda baixíssimas concentrações de nitrogênio e carbono total, sugerindo que o sedimento é muito pobre em matéria orgânica e nutrientes.

VEGETAÇÃO

Na região dos Lençóis Maranhenses ocorrem vegetação de dunas e restingas (Figura abaixo).

A vegetação de praias e dunas sofre o efeito contínuo dos ventos marinhos, carregados pelo sol, da areia e aquelas espécies mais próximas ao mar, das águas da maré alta. Devido a ação combinada de vento, areia e água salgada, intimamente variável, de acordo com a maior ou menor distância do mar, a vegetação apresenta um aspecto característico, produzido por variadas formas de adaptação à água salgada, às altas temperaturas da areia, à escassez de água nas dunas, à forte ação do vento e da areia (Atlas do Estado do Maranhão, 1984).

Entre as espécies mais comuns encontram-se: o capim-da-areia (Panicum racemosum), o capotiraguá (Iresine portulacoides) que se desenvolvem nas áreas banhadas pela água do mar, o alecrim-da-praia (Hybanthus ipecacunha), pimenteira (Cardia curassanica), capim paratuá (Spartina alternifolia), campainha-braca (Ipomea acetosaefolia), acariçoba (Hidrocotyle umbellata), carrapicho-da-praia ou espinho-de-roseta (Acicarpha spathuslata), cardo-da-prais (Cereus pernambucencis), comandaiba (Sophora tomentosa), grama-da-praia (Sporobolus virginicus), feijão-da-praia (Canavalia obtusifolia) (Atlas do Estado do Maranhão, 1984).

Nas restingas crescem as espécies que não sofrem a ação direta das vagas, mas que ainda estão correlacionadas com a proximidade do oceano. Em certos locais a vegetação das restingas pode se tornar muito densa, constituindo-se em um espesso e emaranhado de plantas lenhosas subarbustivas e até mesmo arbustivas.

Por vezes a vegetação da restinga se mistura com a vegetação do cerrado e da caatinga.

Carvalho (1993) estudou Queimadas, uma ilha de vegetação, localizada no interior do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Verificou que as famílias vegetais apresentam dois padrões estratégicos básicos de ocupação do ambiente. O incremento da biomassa, caracterizado por indivíduos maiores e em menor número ocupando uma maior área, e o investimento na quantidade, caracterizado por um maior número de indivíduos menores que aumentam a probabilidade de se distribuírem por uma área maior. São constituídos por uma formação arbórea e por uma vegetação herbácea, respectivamente.


Pontos Turísticos

Lençóis Maranhenses
O Turismo no Maranhão está crescendo principalmente no Parque Nacional dos Lençóis que é um dos pontos turísticos do Maranhão, um paraíso ecológico com 155 mil hectares de dunas, rios, lagoas e manguezais. Raro fenômeno geológico, foi formado ao longo de milhares de anos através da ação da natureza. 
                            
As praias de São Luís
Os pontos turísticos de São Luís mais procurados são as lindas praias. Se você está a fim de sol, mar e uma boa comida, venha para São Luís. A ilha é rodeada de belas e incomparáveis praias, com a presença de morros e falésias, tire férias e venha fazer turismo no maranhão. Saiba mais
 

Chapada das Mesas

Cachoeiras, trilhas ecológicas, belas paisagens. São inúmeras as surpresas que uma viagem à Chapada das Mesas pode revelar ao viajante. As principais cidades do pólo são Imperatriz, Carolina e Riachão, circundadas por um mundo mágico e grandioso. Saiba mais
 
Ilha de São Luís
São Luís, a capital do Estado do Maranhão, é dona de uma beleza singular, tem grandes atrações para o turismo local e seus apelidos são Atenas Brasileira, Cidade do Azulejo, Ilha do Amor, Cidade do Reggae.Saiba mais
 
Floresta dos Guaras
Ainda em fase de estruturação, o Pólo da Floresta dos Guarás fica na parte amazônica do Maranhão, no litoral ocidental do Estado. Incluído como Pólo ecoturístico por excelência, envolve os municípios de Cedral, Mirinzal, Cururupu, Guimarães.