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Florianópolis

Falar sobre Florianópolis é o mesmo que resumir quase três séculos de história.

Afinal, desde a sua emancipação, em 23 de março de 1726, muitas descobertas foram feitas e muitas vitórias conquistadas.

Hoje, como capital turística, Florianópolis conta com aproximadamente 400 mil habitantes* - número que triplica durante o verão.

Os Primeiros Habitantes

Primeiramente, a Ilha de Santa Catarina foi habitada pelo Homem do Sambaqui. Constiutídos de caçadores e coletores, os grupos alimentavam-se basicamente de moluscos, empilhando os restos. Estes montes de "lixo" calcificados são chamados de Sambaqui e constituem a mais importante fonte de informações sobre a população pré-indígena.

Em seguida vieram os Tupi-Guarani. Divididos em várias tribos e aldeias, ocuparam a maior parte da área litorânea e foram chamados de Carijó pelos europeus que aqui chegaram. Tudo indica que estes índios tenham vindo da região que hoje é o Paraguai.

Eles já conheciam a agricultura, eram sedentários e tinham na pesca a atividade básica para sua subsistência. Recebem os brancos como grande cordialidade e curiosidade, não manifestando qualquer hostilidade. Por isso, é que mais tarde são aprisionados pelos portugueses e vendidos como escravos nos mercados de São Vicente e Bahia de Todos os Santos.

Nomes de algumas regiões florianopolitanas como Pirajubaé, Itaguaçu, Anhatomirim, são uns dos referenciais históricos deixados por eles. Meiembipe, ou "lugar acima do rio" e Yurerê-Mirim, ou "bem pequena", eram denominações que os Carijós usavam para chamar sua terra.

O gradual extermínio destas tribos indígenas no litoral catarinense começa a acontecer no final do século XVII, devendo-se à escravidão e à fraca resistência às doenças trazidas pelos europeus, tais como gripe, sarampo, varíola, tuberculose, etc... Apesar dos esforços do missionários jesuítas espanhóis e portugueses para salvá-los, aos Carijós restou o último papel: serem escravos dos europeus nos engenhos que aqui começavam a ser instalados.

 

 

   

A Fundação do Povoado

Os primeiros colonizadores a se instalarem em Florianópolis foram desertores de algumas expedições marítimas. Entretanto, a fundação da cidade propriamente dita só foi ocorrer a partir de 1675. Foi neste ano que chegou à ilha o bandeirante Francisco Dias Velho, que além de impulsionar o surgimento da cidade, acabou tendo um fim trágico, digno de um filme de aventuras. Com Dias Velho vieram sua esposa, três filhas, dois filhos, outra família agregada, dois padres da Companhia de Jesus e mais 500 índios domesticados.

O bandeirante natural de Santos(SP) é descrito por algum historiadores como um impiedoso caçador de índios, mas o traço mais palpável de sua personalidade era a coragem de desbravador em uma terra cobiçada por piratas de várias nacionalidades. O fundador já trazia informações sobre a existência de um pequeno comércio realizado no local onde seria instalada a cidade e sobre o espírito pacífico dos indígenas. O primeiro passo foi a constrição de uma pequena igreja onde hoje está a Catedral de Florianópolis, contando com a proteção de Santa Catarina. Em seguida foi escolhida a melhor região para a vila, começando a construção de casas e iniciando-se o plantio de novas culturas.

 

   

A Trágica sina de Dias Velho

Porém, a determinação de Dias Velho em proteger sua terra foi determinante para o seu fim trágico. Um navio pirata vindo do Peru e comandado por Robert Lewis atracou em Canasvieiras, com um carregamento de prata em seus porões. Em pouco tempo, Dias Velho conseguiu expulsar os corsários, ficando com o carregamento do navio. Mas um ano mais tarde o comandante pirata concretizou sua vingança. Lewis retornou, recuperou sua carga de prata, violou as três filhas virgens do fundador e o matou. Com isso, a família do bandeirante e todos os acompanhantes retornaram a São Paulo, não sem antes concluírem a construção da capela.

 

   

A Vila de Nossa Senhora do Desterro

 

Depois da morte de Dias Velho a Ilha permaneceu abandonada por alguns anos. Mas a necessidade de povoamento da região, para garantia de seu domínio, era uma preocupação dos portugueses. Florianópolis não passava de um povoado de 27 casas. O nome da localidade era Nossa Senhora do Desterro, a elevação à condição de freguesia aconteceu em 1714 e à categoria de vila em 1726. Nessa época, alguns paulistas tiveram autorização para ocupar o estado. Contudo, na Ilha, a preocupação permanecia insignificante. Esse quadro só foi se alterar substancialmente cerca de 20 anos mais tarde, com a chegada dos colonizadores açorianos.

 

   

A Colonização Açoriana

A Coroa Portuguesa criou a Capitania Subalterna de Santa Catarina em 1738, passando sua vinculação de São Paulo para o Rio de Janeiro. Mas foi no período compreendido entre 1747 e 1756 que a ocupação da Ilha realmente tomou impulso. Os constantes abalos sísmicos em suas ilhas no Arquipélago dos Açores, em Portugal, e também a superpopulação, serviram de estímulo para que cerca de cinco mil imigrantes açorianos decidissem colonizar a Ilha e o litoral catarinense. Os primeiros imigrantes a desembarcar instalaram-se na rua próxima à Igreja, que hoje é denominada Rua dos Ilhéus em sua homenagem. Aos poucos foram sendo criadas as primeiras freguesias, como a de Nossa Senhora do Rosário da Enseada do Brito, esta última no continente, frente ao sul da Ilha.

 

   

O desenvolvimento do Centro

O acesso ao interior da Ilha era difícil e, com isso, o centro urbano se desenvolveu junto à parte mais próxima do continente. A agricultura de subsistência foi a primeira atividade desenvolvida pelos colonizadores com ênfase à cultura da mandioca, qua mais tarde iria atender em pequena escala ao mercado externo.

A classe mais poderosa da época era a dos militares e devido à sua presença no então Porto de Desterro, foi necessário importar roupas, alimentos e objetos de consumo para atendê-los. Assim, surgiu próximo ao porto um pequeno centro comercial para venda de alimentos e produtos artesanais feitos pelos moradores.

 

   

A Caça às baleias

As baleias eram visitantes constantes do litoral da Ilha e na segunda metade do século XVIII a Coroa Portuguesa autorizou sua caça. Entretanto a caça à baleia não representou um incremento ao comércio da região, já que a maioria do produto era enviado a Portugal. O impulso mais significativo ao Porto de Desterro com a caça à baleia foi a necessidade de abastecimento com água e alimentos a muitos baleeiros norte-americanos que também aproveitaram para contrabandear escravos. Não demorou muito para que a atividade predatória entrasse em declínio. O primeiro motivo foi a fuga das baleias para o extremo sul e mais tarde a substituição do óleo animal por querosene, a partir do carvão de pedra, e depois por petróleo, como fonte de iluminação. O poder dos militares na região começa a diminuir no início do século XIX e passam a prosperar os comerciantes, na maioria donos de embarcações para comércio entre o litoral catarinense

 

 

A beleza de uma Ilha entre o mar e a montanha

Florianópolis é um desafio aos olhos e à compreensão dos visitantes. Não só por sua inusitada configuração urbana de cidade dividida entre o continente e a Ilha de Santa Catarina, mas, principalmente, pela diversidade de paisagens que se espalham por seus 451 quilômetros quadrados. A parte insular é caracterizada por um relevo irregular e por uma costa bastante recortada, que, com suas 42 praias, tornou a cidade internacionalmente conhecida. O peculiar perfil humano da população, aliado a riquezas naturais como lagoas, mangues, morros, dunas e pequenas ilhas completam o quadro que faz de Florianópolis um lugar fascinante.

Essa mágica atração que Florianópolis exerce sobre as pessoas não é um fenômeno atual. Sua beleza natural já inspirava descrições apaixonadas dos navegadores dos séculos XVIII e XIX. Em 1809, o viajante inglês John Mawe destacava em seus relatos o clima "ameno e saudável", a fertilidade do solo, como uma infinidade de espécimes florais e uma fauna diversificada. Outro aspecto que chamou a atenção dos navegadores e ainda encanta os visitante é o relevo da Ilha, com morros de alturas entre 400 e 650 metros.

 

   

Lagoa: O point mais tradicional de Floripa

A primeira freguesia da cidade foi fundada junto a um dos pontos que ainda hoje é um dos mais tradicionais: a Lagoa da Conceição.

A Avenida das Rendeiras, que margeia a Lagoa, abriga uma das mais antigas tradições da Ilha, a confecção de rendas de bilro. Em 14 casinhas espalhadas pela avenida, as rendeiras mantêm viva a tradição que é passada de mãe para filha ao longo dos anos. Ao redor dos quase 20 quilômetros quadrados de água de baixa salinidade da Lagoa, estão preservadas várias construções da época colonial. Mas além de importante recanto histórico, a Lagoa da Conceição é um dos principais redutos da vida noturna de Florianópolis, com diversos bares e restaurantes. Também é o local da cidade que abriga o maior contigente de intelectuais, artistas plásticos e escritores.

 

   

Os Pontos mais altos da Ilha

Outro ponto histórico de grande importância é o Riberão da Ilha, repleto de construções da época dos colonizadores açorianos. É lá que se situa o ponto mais alto da Ilha, o Morro do Ribeirão, com 650 metros de altitude.

Uma das visões mais abrangentes é conseguida do topo do Morro da Cruz, localizado no centro de Florianópolis. Um ponto que atrai muitos visitantes é o Morro das Sete Voltas (Morro da Lagoa), que, com sua estrada sinuosa, permite uma visão panorâmica da Lagoa, de algumas praias e de belas dunas de areias claras.

 

   

Geografia

A Ilha de Santa Catarina tem uma forma alongada no sentido norte/sul, com uma dimensão aproximada de 50 km por 10 km. Situada paralelamente ao continente, é separada por um estreito de 500 m de largura, com uma profundidade média de 28 m, formando duas bacias: norte e sul. A área do relevo, voltada para o continente (costa oeste), apresenta abundância de planícies, onde aparecem os mangues. Do outro lado do Atlântico, o declive é mais íngreme e proporciona a acumulação de areia (dunas e praias muito extensas).
            O município de Florianópolis está localizado entre os paralelos de 27º10' e 27º50' de latitude sul, e entre os meridianos de 48º25' e 48º35' de longitude a oeste de Greenwich. Numa área total de 451 km2, o município está dividido em duas porções de terra: uma localizada na área continental, com 12,1 km2, e a outra - a própria Ilha de Santa Catarina, que possui uma área de 438,90 km2. Seu contorno é bastante irregular, composto de baías, pontas e enseadas.
            A ligação entre a Ilha e o continente se faz através de três pontes: a histórica
Ponte Hercílio Luz, Colombo Sales e Pedro Ivo Campos.
            Sua costa, composta por 172 km de extensão, é repleta de praias, costões, restingas, manguezais e dunas. A morfologia da Ilha é descontínua, formada por cristas montanhosas, que chegam a alcançar 532 metros de altitude no morro do Ribeirão da Ilha, e terrenos sedimentados de formação recente, compondo as planícies litorâneas.

 

   

Vegetação

 

  • Manguezais: Um dos aspectos que assegura a preservação de várias espécimes na Ilha é a existência de mangues, fundamentais para a procriação da animais de pequeno, médio e grande porte. Em Florianópolis há cinco mangues: de Ratones(6,25km), do Rio Tavares(8,22km), do Saco Grande(0,93km), do Itacorubi(1,5km) e da Tapera. Eles se localizam na área do relevo voltada para o continente(costa oeste), onde os declives são menos acentuados e há abundância de planícies. Ao lado oposto da Ilha(costa leste) o declive é mais íngreme, proporcionando o acúmulo de areia, com dunas e praias extensas.

Principais manguezais e situação apontada na obra "Uma cidade numa Ilha", do Cecca (Centro de Estudos, Cultura e Cidadania), da Editora Insular

* Manguezal de Ratones: na bacia hidrográfica do Rio Ratones. Sofreu além do desmatamento, os danos pelas obras de drenagens. Com o objetivo de recuperar seis mil hectares de terras para a agricultura, em 1949, o departamento Nacional de Obras e Saneamento começou trabalho de drenagem com a canalização dos cursos d'água e a construção de comportas para evitar a entrada da água do mar. Atualmente é atravessado pela SC-401 e da sua original sobrou apenas 0,03%.

* Manguezal do Saco Grande: sofre com os aterros ilegais ao longo da SC-401. Toda a área situada a leste da rodovia já foi aterrada e a oeste começa o mesmo processo, justo nesta parte que ainda fica em contato com o mar, sem sofrer o efeito represador da estrada. Recebe esgotos sem nenhum tratamento nos bairros Monte Verde e Saco Grande 2.

* Manguezal do Itacorubi: é o manguezal mais próximo do aglomerado urbano. Sofreu sucessivas reduções para dar espaço à Avenida Beira-Mar Norte, ao aterro sanitário da cidade (atualmente destivado) e ao loteamento Santa Mônica e é o mais atingido pela emissão de esgotos sem tratamento. Recebe os efluentes da bacia do Itacorubi, que drena populosos bairros da cidade.

* Manguezal do Rio Tavares: é atualmente o maior da Ilha. Teve sua área reduzida principalmente com a implantação da Base Aérea de Florianópolis e do Aeroporto Hercílio Luz, por meio de aterros e drenagens artificiais. A rodovia que atravessa o manguezal no sentido norte-sul forma um dique de represamento das águas da maré, que por causa disso, tem como único acesso o canal principal. O bairro de Carianos é uma das áreas que foram aterradas e na porção leste e sul este manguezal perdeu área pelos desmatamentos e drenagens para ceder lugar às pastagens. Sofre problemas de conservação nas áreas da Costeira e Rio Tavares.

* Manguezal da Tapera: tem sofrido redução de área principalmente em função da drenagem para a formação de pastagens e, mais recentemente, para a construção de moradias. É o único (entre os citados) que não constitui uma unidade de conservação. É protegido apenas pelo Código Florestal e pelo Plano Diretor do Município.

 

   

 

Clima

O clima da Ilha é mesotérmico úmido, sem estação seca, e as mudanças do tempo dependem da Massa Tropical Atlântica(primavera e verão) e da Massa Polar Atlântica(outono e inverno). Os ventos predominantes são Nordeste e Sul e a temperatura média anual é de 20,4 graus, com a máxima atingindo 40 graus e a mínima de 3 graus.

 

   

Rios

A hidrografia caracteriza-se pela não existência de bacias bem definidas, fraca capacidade de escoamento da rede de drenagem e a ausência de mananciais vigorosos.

 

   

Parques Florestais

Em Florianópolis as principais opções são o Parque Florestal do Rio Vermelho, com 1.100 hectares; o Horto Florestal de Canasvieiras, com 170 hectares, e o Parque Municipal da Lagoa do Peri, com 2.000 hectares. Neste último estão preservados espécimes como lontras e jacarés, que fazem parte do folclore dos habitantes locais.

Áreas reservadas: Parque Florestal do Rio Vermelho, Parque Municipal da Lagoa do Peri, Parque Horto Florestal de Canasvieiras, Parque Estadual do Tabuleirinho (sul da ilha), Dunas da Lagoa da Conceição e do Santinho, Parque Municipal da Galheta e Mangues.